quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

shhh

Fiz um banlanço do ano e considerei impublicável. Não queria mentir, omitir, nem tampouco falar a verdade. Pra isso servem meus mini caderninhos onde escrevo meus sussurros em mini letrinhas e escondo em uma caixa pequenina na menor gaveta.
Dos pensamentos neuróticos de infância, um dos que ainda tenho é o temor de morrer de repente e ter meus segredos de gaveta violados.
Há coisas que nunca serão escritas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A. A.

Eu, você, ele, ela.
Quantos forem, tanto faz.
Eu e você.
Eu e ele.
Eu e ela.
Você e ele.
Você e ela.
Ele e ela.

Quatro pessoas, sete relações distintas. E por aí vai...

Análise combinatória. Aquele bar de histórias.

choro da manhã

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

antonia

antonia: sabe qual é a graça?
eu: qual?
antonia: que a vida vai ser sempre dura...e agente vai sempre apanhar....e buscar...
a falta que nos move, garota
cheiro de tangerina


Saudade dela aqui e não no Gtalk. Bosta.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

tempestade em copo d'água

O sentir de agora parece sempre mais latente que o de ontem. A maior merda do mundo, a maior dor do mundo, o maior arrependimento. E de repente, como costumo dizer das vezes em que a latência é triste, de repente me distancio, me olho de fora e tudo fica tão simples.. Simplesmente amanhã estará tudo bem e depois de amanhã estará pior ainda.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

fluxo

Aquele vestido que eu desejava mas não tive coragem de comprar porque o preço estava salgado e a promoção estava próxima. Aquele vestido estava acabando e por fim se esgotou no estoque, antes mesmo da promoção. Então eu fiquei sem vestido, fiquei sem sapato, sem bolsa nem saia. E sem brincos nem colares nem anéis, afinal eu tenho alergia. Eu tenho alergia a ouro. Logo hoje que todas as estampas me agradam e me cabem, só roupas lisas e largas no armário. O ármário de sempre, sem puxadores, ainda que já os tenha comprado há mais de mês. E aqueles quadros que até hoje não punhei a moldura e as luminárias japonêsas trazidas das férias que até hoje não pendurei. Mesmo agora que olhei pra mim e tudo em volta reverbera.

Mudei. Continuo querendo o sal, mas ando pensando em açúcar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Feliz Aniversário

Um dia eu tive um cão vira-lata. Juntos dançamos todas, bebemos todas, burlamos todas e qualquer. O nosso amor tinha outra cor. E o cheiro, sempre o cheiro..

Querido cão vira-lata, hoje você lembrou daquele dia chuvoso e das vezes em que uivamos pra lua. E sem perceber, juro que acabo de notar: lembra do sutiã de cachorrinhos? Então..



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Calcula aqui comigo:

Você pensa que nada quero, eu penso que tudo faço.
Se você nada quisesse e eu nada fizesse, nada teríamos.
Porém se tudo faço, tudo quero e nada tenho, não seria você um bobão desmiolado?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Para o Alto Para a frente

Encontro-me pronta pra cavar até encontrar a água. Sei muito bem que esse buraco dá lá no Japão. Não vou nem ouvir quando a cabeça tentar me convencer do contrário, meus pézinhos voam mas não saem do chão, não!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

eu território

O que importa se fui inteira ou se fui meia, se fui forte ou se fui fraca, se usei botas ou pisei descalça? O que importa se agora há nuvens onde o céu poderia estar límpido? O que importa se não vejo mais marias-sem-vergonha nem plantinhas dorminhocas pelo caminho? Na minha frente mar, atrás de mim morro. O que importa se no mar eu nado se há tanto morro que ainda hei de subir?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CHECKLIST

- Emoldurar o carrosselzinho que a Rita deu
- Correr no aterro
- Arrumar o quarto
- Ler, ler, ler, ler, ler, ler e escrever
- Marcar dermatologista
- Marcar dentista
- Marcar acupunturista
- Marcar ginecologista
- Marcar cirurgião plástico

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

saudade agora

Quero o verdinho de mil tons, o azulzinho brilhante, olhinhos semi fechados de claridade e o pé todo sujinho de grãos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Se você vier eu lhe ofereço um jantar. Depois, você deitado, eu dançarei nua sem notar você acordado. Se você vier, se você ficar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Fragmento

Cheguei ele tinha um bebê no colo e uma mulher bonita ao lado. Pensei, bela família. Bela família mesmo, ele, a sobrinha no colo e a irmã ao lado. Ele já me conhecia, a atriz daquela peça. Fizemos uma sopa juntos, juntos cortamos batatas e abóbora, juntos choramos o arder da cebola. Ele me ensinou o segredo de um bom brownie e me convidou pra assistir ao show do Prince no fim de semana. Me deu sopa na boca pra provar o tempero. Foi isso tudo e foi só isso.

domingo, 17 de julho de 2011

Cedo ou Tarde Tudo Morre

No inverno a coceira nas pernas me ataca. Inverno de 2011, muito frio no Rio de Janeiro. E ontem, num sábado não tão frio, fui assistir uma peça de inverno. Foi bonito, foi realmente bonito.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

da série: nasceu na lapa e foi parar no processo

O milésimo de segundo em um chiclete gruda ao mesmo tempo no asfalto e no pneu de eu carro, de forma que com uma pequena andada do carro e depois com uma leve freada, o chiclete se estica formando um ângulo de 45 graus perfeito com o chão.

Eu existo.

da série: coisas de processo

uma vez eu disse vamos sair, comer alguma coisa, aqui na têve só.. e você respondeu vamos sim. então saímos caminhando por botafogo atrás de uma comida japonesa e o único restaurante que encontramos aberto era um daqueles que nasceram só chinês e acabaram virando japonês pra agradar a clientela, sabe, desses centro china, via china, china.. e então entramos, sentamos, olhamos o cardápio e eu disse então vamos pedir um yakisoba.. e você respondeu não, sashimi. e eu, não poxa, yakisoba.. e você sashimi.. e eu yakisoba e você sashimi e eu yakisoba, sashimi e yakisoba e sashimi yakisoba sashimi..


domingo, 20 de março de 2011

pra você, amigo

quando você começa a pensar e fica assim de cucuruco, eu fico preocupada com o seu cucuruco, com essa cabecinha cabeçuda em movimento movimento movimento... então faz isso por mim: transforma o movimento em poesia concreta, intensifique a mistura, temperódio, lagrimento.. faz um chá com a porra toda toda e bebemos juntos de um gole só.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

dos prazeres de uma tangerina

Enfio o dedo no umbigo dela, tiro a casca em sete ou oito fragmentos. Depois, gomo por gomo como, em três maneiras que variam:

Limpo todos os fiapinhos. Corto a costura com os dentes, ainda com os dentes separo o caroço. Com três dedos de cada mão viro o gomo do avesso. Microgominhos saltam, lindos e laranjas.
(ou)
Limpo todos os fiapinhos. Corto a costura com os dentes, ainda com os dentes separo o caroço. Encaixo o gomo no meu sorriso e espremo todo o suco entre caninos e molares.
(ou)
Como até o caroço.

Sem nunca deixar de me lambuzar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pode não ser nada disso e certamente não é.

Menino com menina não combina mais. Nossa adoração ao espelho ou sociologia natural?
Gosto de muito pêlo e braço cheio de veia, mais força do que eu.
Mas menino e menina não combina, só resulta em menos, a soma de menos com mais.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

inicinho

passo o dia todo debaixo da água clorífera, subo ali pra onde nasce a água doce e vejo o sol morrer na água salgada. metrô, banho, supermercado, metrô.
acordo cansada, ressaca, supermercado, sorveteria, outro supermercado, outra sorveteria. ando até a casa dos amigos, que bom poder andar até a casa desses amigos. filo um baseado, ônibus. quarenta e cinco minutos de antecedência, luxo, não numa sexta feira sete horas da noite. três ruas grandes seguidas pra atravessar. um teatro pequeno num espaço grande, dois enormes poetas numa peça b i z a r r a. lapa. aquela coisa de lapa. djebsi e frombre.
acordo cansada, ressaca, ônibus. dia lindo, amigos, feira, fotos, cerveja no centro histórico. ônibus, mergulho num mar cansado de tanta gente. sento na lagoa, espero, ônibus. durmo. dor no lado esquerdo do corpo.
mais um ano e mais mais um janeiro de férias no meu riozinho de janeiro de férias. estou ser urbano, inquietude deliciosa. quero sumir daqui.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

perinatal

Lá onde todos os quartos têm cegonha na porta, tive que ser mãe pela primeira vez: da minha própria mãe. Parece que parimos juntas ovários e duas trompas, 24 horas de prisão.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

você está gorda, garota.

vovó está caduca

Vovó não se lembra do que comeu na noite do ano bom. Ela sabia que bacalhau, mas não se lembrava que coisa vermelha e salgada, não era linguiça nem bacon, que coisa tinha nele. Sabia que feijão fradinho, mas com o que?, será que no bacalhau?
- E aquilo, pepino, cenoura e tomate picados?
- Salada, vó?
- Canoa é, Cnoua!
Ver o esforço da vózinha que sabia tudo de cozinha pra se lembrar o que foi feito pra ela comer... Quieta com a cabeça queimando, pensando, querendo encontrar, dividir comigo a comidinha gostosa do ano bom.
Quando acordo, meio dia, ela já voltou do mercado, comprou filé mignon pra eu almoçar e o queijo que a mamãe gosta. Já tinha preparado meu suco de laranja, que eu nunca pedi e ela sempre faz, lavava as alfaces e me disse que o café era de ontem mas que estava fresco ainda. Café de ontem nunca está fresco, já tentei argumentar oitocentas vezes, mas vovós são fofinhas, esquecidas e muito, muito teimosas. Já têm alguns meses que pingo leite no café pra disfarçar o gosto de ontem.
Almoçamos juntas, só nós duas. Falei menos hoje. Vovó não consegue ouvir nem a metade das minhas falas, mas entende tudo. E esquece um bocado depois.
Ela nasceu há mais de oitenta e seis anos e ainda assim se esforça pra entender como eu saio tão cedo e volto tão tarde, quando volto. E por isso comi todo o bife sem dizer que ela havia esquecido do sal.

Sabia que na medicina caduquice é chamada de demência senil? Cruel.

quanto falta?

Para exercitar uma opinião. Para escolher uma opinião, só uma, não todas. Para que ela seja definitiva até que alguém rapidamente me faça, de novo, mudar de opinião.